26 novembro 2009

Desafinada

Não é errado não querer aquilo que nos oferecem, pois não? Não me falta nada mas sinto falta de tudo… de mim, de quem fui, de quem sou. Não me quero afogar na futilidade do ócio! Não quero ficar assim… não me quero tornar naquilo que sempre critiquei.
Estive trancada num mundo que não era meu. Não tenho sido fiel aos meus princípios e isso tem que mudar. Já está a mudar!
Nunca devia ter parado de correr, mas fiquei cansada e encostei-me. Bateu o solinho e adormeci. Agora chove e percebo que dormi demais!

Haverá limites?

Acho que estou a viver a minha vida depressa demais. Cheguei a um ponto de viragem, cresci! Tanto tempo a trabalhar para isso não acontecer… E agora? Espera… Pensando bem, já estou neste impasse há muito tempo…
Bem me parecia que me saíam palavras da boca que não me soavam reais. Mas eram.
Se me lembrasse dessas palavras agora… Talvez elas me servissem, me tirassem as dúvidas.
Mas já que este é um ponto de viragem em que se colocam as verdadeiras questões da vida, já não se pode perder tempo com lutas inconformistas pela Justiça e pela Paz. Cada um tem de começar a viver a sua própria vida e a aperceber-se da sua unicidade antes que seja tarde demais.
Todos precisamos de ser o centro das atenções, de uns minutos de fama, de protagonismo… sem eles a vida perde o sentido. Temos que ser estupidamente felizes nem que seja por breves segundos, ser egocêntricos a ponto de sorrir no meio das lágrimas que choramos pelos outros e por nós próprios. Precisamos de sonhar acordados e imaginar que tudo é perfeito porque nenhum pesadelo pode trazer tanto medo, angústia e solidão como a vida real.

Ângor

Quem me dera que a chuva me molhasse o rosto para não ter que mostrar as lágrimas que caem quando ela bate no vidro. A saudade faz-me engolir mais um pouco de vazio… todas as noites e todos os dias o mesmo pesadelo… é um peso difícil de suportar. Vivo com a culpa de nada ter feito para mudar este destino amargo.
Ssshhhhh! O silêncio fala mais alto do que eu jamais conseguirei gritar!!! Olha para mim e vê o que sinto… Palavras para quê? Está tudo escrito nos meus olhos, na minha alma. O meu coração é uma tela de carvão… necrosada. Mais um risco não se vai notar.

08 novembro 2009

Sofoco

As minhas ideias esgotam-me o oxigénio. Os pensamentos enrolam-se na garganta e quando tento perceber o que sinto entro em asfixia. Falta-me ar... ou se bem me parece é espaço o que me falta. Espaço para abrir a comporta. Isso era bom, deixava de ter fugas por osmose e passava a difundir activamente a energia que acumulo dentro de mim. É quase nuclear... É o caos. É entropia. Os electrões chocam com tanta força que, se fosse uma lâmpada, era capaz de iluminar este buraco durante anos.
Não vou negar: gostava de ser uma máquina e de não ter que respirar para não me faltar o ar. Gostava de ser sistemática e que bastasse um reset para começar de novo. Queria tanto passar impávida e serena ao lado da dor, da minha dor... Preciso de um sorriso automático para não ter que responder por que razão não sorrio como dantes. Queria ser fria e distante para poder calcular ao ínfimo pormenor tudo o que me vai acontecer, quando e como. E queria também que as memórias que tanto me corroem todas as noites desaparecessem com um delete. Mas é do mesmo ar que respiramos todos...

07 novembro 2009

Analiticamente

Então foi aqui que cheguei... Percorri a estrada, guardei a chave e com ela abri a porta de casa. Bebi do lago com o copo mas continuo com sede!
Pensei que tinha cumprido o objectivo, mas afinal parece que não... É que deixei o tesouro lá atrás e quanto mais tento voltar para o encontrar, mais distante ele fica. O meu tesouro... nem sonha ser quem é. Ninguem sabe o valor que tem. Para mim é tudo!

06 novembro 2009

Sonhos: elenco desfigurado

É perturbante não reconhecer alguém que permanece tão próximo do ego. Se não o reconheço por que razão entra no meu inconsciente? Por que razão ocupa o lugar que permanece vazio? Por que razão desempenha o papel mais importante? E como sabe exactamente o que dizer e fazer? Em tudo parece igual, menos na aparência. Não sei quem é, onde vive, se existe sequer... Mas mexe cá dentro e faz-me pensar.

23 setembro 2009

Tão depressa quero como desisto de procurar...

O meu coração bate a um ritmo tão caótico que percebo que se tivesse vontade própria já não moraria neste peito há muito tempo! Gostava de poder voltar àquele estado de hipostesia sentimental em que vivi durante anos, mas tenho este pace que me massacra o miocardio... e ele está cansado. Já não identifica o estímulo e bate ao mínimo impulso eléctrico. Preciso de cardioversão sentimental.