08 novembro 2009

Sofoco

As minhas ideias esgotam-me o oxigénio. Os pensamentos enrolam-se na garganta e quando tento perceber o que sinto entro em asfixia. Falta-me ar... ou se bem me parece é espaço o que me falta. Espaço para abrir a comporta. Isso era bom, deixava de ter fugas por osmose e passava a difundir activamente a energia que acumulo dentro de mim. É quase nuclear... É o caos. É entropia. Os electrões chocam com tanta força que, se fosse uma lâmpada, era capaz de iluminar este buraco durante anos.
Não vou negar: gostava de ser uma máquina e de não ter que respirar para não me faltar o ar. Gostava de ser sistemática e que bastasse um reset para começar de novo. Queria tanto passar impávida e serena ao lado da dor, da minha dor... Preciso de um sorriso automático para não ter que responder por que razão não sorrio como dantes. Queria ser fria e distante para poder calcular ao ínfimo pormenor tudo o que me vai acontecer, quando e como. E queria também que as memórias que tanto me corroem todas as noites desaparecessem com um delete. Mas é do mesmo ar que respiramos todos...

Sem comentários:

Enviar um comentário