Quem me dera que a chuva me molhasse o rosto para não ter que mostrar as lágrimas que caem quando ela bate no vidro. A saudade faz-me engolir mais um pouco de vazio… todas as noites e todos os dias o mesmo pesadelo… é um peso difícil de suportar. Vivo com a culpa de nada ter feito para mudar este destino amargo.
Ssshhhhh! O silêncio fala mais alto do que eu jamais conseguirei gritar!!! Olha para mim e vê o que sinto… Palavras para quê? Está tudo escrito nos meus olhos, na minha alma. O meu coração é uma tela de carvão… necrosada. Mais um risco não se vai notar.
26 novembro 2009
08 novembro 2009
Sofoco
As minhas ideias esgotam-me o oxigénio. Os pensamentos enrolam-se na garganta e quando tento perceber o que sinto entro em asfixia. Falta-me ar... ou se bem me parece é espaço o que me falta. Espaço para abrir a comporta. Isso era bom, deixava de ter fugas por osmose e passava a difundir activamente a energia que acumulo dentro de mim. É quase nuclear... É o caos. É entropia. Os electrões chocam com tanta força que, se fosse uma lâmpada, era capaz de iluminar este buraco durante anos.
Não vou negar: gostava de ser uma máquina e de não ter que respirar para não me faltar o ar. Gostava de ser sistemática e que bastasse um reset para começar de novo. Queria tanto passar impávida e serena ao lado da dor, da minha dor... Preciso de um sorriso automático para não ter que responder por que razão não sorrio como dantes. Queria ser fria e distante para poder calcular ao ínfimo pormenor tudo o que me vai acontecer, quando e como. E queria também que as memórias que tanto me corroem todas as noites desaparecessem com um delete. Mas é do mesmo ar que respiramos todos...
Não vou negar: gostava de ser uma máquina e de não ter que respirar para não me faltar o ar. Gostava de ser sistemática e que bastasse um reset para começar de novo. Queria tanto passar impávida e serena ao lado da dor, da minha dor... Preciso de um sorriso automático para não ter que responder por que razão não sorrio como dantes. Queria ser fria e distante para poder calcular ao ínfimo pormenor tudo o que me vai acontecer, quando e como. E queria também que as memórias que tanto me corroem todas as noites desaparecessem com um delete. Mas é do mesmo ar que respiramos todos...
07 novembro 2009
Analiticamente
Então foi aqui que cheguei... Percorri a estrada, guardei a chave e com ela abri a porta de casa. Bebi do lago com o copo mas continuo com sede!
Pensei que tinha cumprido o objectivo, mas afinal parece que não... É que deixei o tesouro lá atrás e quanto mais tento voltar para o encontrar, mais distante ele fica. O meu tesouro... nem sonha ser quem é. Ninguem sabe o valor que tem. Para mim é tudo!
Pensei que tinha cumprido o objectivo, mas afinal parece que não... É que deixei o tesouro lá atrás e quanto mais tento voltar para o encontrar, mais distante ele fica. O meu tesouro... nem sonha ser quem é. Ninguem sabe o valor que tem. Para mim é tudo!
06 novembro 2009
Sonhos: elenco desfigurado
É perturbante não reconhecer alguém que permanece tão próximo do ego. Se não o reconheço por que razão entra no meu inconsciente? Por que razão ocupa o lugar que permanece vazio? Por que razão desempenha o papel mais importante? E como sabe exactamente o que dizer e fazer? Em tudo parece igual, menos na aparência. Não sei quem é, onde vive, se existe sequer... Mas mexe cá dentro e faz-me pensar.
23 setembro 2009
Tão depressa quero como desisto de procurar...
O meu coração bate a um ritmo tão caótico que percebo que se tivesse vontade própria já não moraria neste peito há muito tempo! Gostava de poder voltar àquele estado de hipostesia sentimental em que vivi durante anos, mas tenho este pace que me massacra o miocardio... e ele está cansado. Já não identifica o estímulo e bate ao mínimo impulso eléctrico. Preciso de cardioversão sentimental.
Posição fetal
Se queres que te diga, não falo. Calo-me e tranco-me a sete chaves. O que sinto só eu sei e é aqui que vivo isolada de tudo. No sigilo guardo o que vai no meu coração e o que me corre nas veias. É secreto e não é para ninguem saber. Este tesouro é só meu, é a única coisa que é só minha. Quem tinha que o levar não o quis quando ele me caiu das mãos e se espalhou à minha frente. Fiquei sozinha a apanhar os pedaços em que ele se quebrou. Quem tinha que ver, não viu e quando podia ouvir, não ouviu... Não vou repetir! Não quero voltar a dar de mim! Vou ficar aqui enrolada, escondida e ninguem me vai encontrar... Daqui não caio.
A não-Lei de Lavoisier
A vida dá e tira, mas por vezes não compensa. Pelo menos é assim que o sinto.
Por muito que detenha nunca vou voltar a ter o que já tive e perdi. E não é como na natureza em que nada se perde, nada se ganha e tudo se transforma. Se for, transformou-se tanto que já não reconheço a matéria prima...
Por muito que detenha nunca vou voltar a ter o que já tive e perdi. E não é como na natureza em que nada se perde, nada se ganha e tudo se transforma. Se for, transformou-se tanto que já não reconheço a matéria prima...
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