07 novembro 2009

Analiticamente

Então foi aqui que cheguei... Percorri a estrada, guardei a chave e com ela abri a porta de casa. Bebi do lago com o copo mas continuo com sede!
Pensei que tinha cumprido o objectivo, mas afinal parece que não... É que deixei o tesouro lá atrás e quanto mais tento voltar para o encontrar, mais distante ele fica. O meu tesouro... nem sonha ser quem é. Ninguem sabe o valor que tem. Para mim é tudo!

06 novembro 2009

Sonhos: elenco desfigurado

É perturbante não reconhecer alguém que permanece tão próximo do ego. Se não o reconheço por que razão entra no meu inconsciente? Por que razão ocupa o lugar que permanece vazio? Por que razão desempenha o papel mais importante? E como sabe exactamente o que dizer e fazer? Em tudo parece igual, menos na aparência. Não sei quem é, onde vive, se existe sequer... Mas mexe cá dentro e faz-me pensar.

23 setembro 2009

Tão depressa quero como desisto de procurar...

O meu coração bate a um ritmo tão caótico que percebo que se tivesse vontade própria já não moraria neste peito há muito tempo! Gostava de poder voltar àquele estado de hipostesia sentimental em que vivi durante anos, mas tenho este pace que me massacra o miocardio... e ele está cansado. Já não identifica o estímulo e bate ao mínimo impulso eléctrico. Preciso de cardioversão sentimental.

Posição fetal

Se queres que te diga, não falo. Calo-me e tranco-me a sete chaves. O que sinto só eu sei e é aqui que vivo isolada de tudo. No sigilo guardo o que vai no meu coração e o que me corre nas veias. É secreto e não é para ninguem saber. Este tesouro é só meu, é a única coisa que é só minha. Quem tinha que o levar não o quis quando ele me caiu das mãos e se espalhou à minha frente. Fiquei sozinha a apanhar os pedaços em que ele se quebrou. Quem tinha que ver, não viu e quando podia ouvir, não ouviu... Não vou repetir! Não quero voltar a dar de mim! Vou ficar aqui enrolada, escondida e ninguem me vai encontrar... Daqui não caio.

A não-Lei de Lavoisier

A vida dá e tira, mas por vezes não compensa. Pelo menos é assim que o sinto.
Por muito que detenha nunca vou voltar a ter o que já tive e perdi. E não é como na natureza em que nada se perde, nada se ganha e tudo se transforma. Se for, transformou-se tanto que já não reconheço a matéria prima...

13 agosto 2009

Silenciosamente, confesso!

Não consigo resistir a estes impulsos... São mais fortes do que a minha vontade de me redimir à mesma solidão de sempre. Nunca pensei que fosse tão pesado ser ímpar, mas foi o que eu escolhi para mim. Sempre quis ser única e diferente... Eis a diferença! Aqui estou, impaciente pela mudança. Mas já nada vai mudar, tenho demasiado atrito em meu redor e ninguém é suficientemente resistente para o ultrapassar.
Chega de exigências impossíveis! Tragam-me conformismo porque só com ele haverá paz aqui deste lado.
Estou prestes a desistir desta máscara e a revelar tudo aquilo que sinto, o que sou... sem medos e sem restrições. Dizer e fazer tudo o que me apetecer e a seguir não ter que assumir as consequências. Enquanto isso não acontece, fico calada... e este silêncio vai matando o meu sorriso aos poucos.

10 agosto 2009

Looking for closure

Tento todos os dias, tento mais uma vez e outra. Tento não desistir e seguir em frente. Sinto o frio a cortar-me a pele e o vento é tanto que não consigo respirar. Olho para a frente e não vejo nada. Só há confusão e eu estou sozinha outra vez... Como sempre! Esta solidão que teimo em cobrir com ilusões e histórias de encantar... Estou cansada e só me apetece dormir. Mas não quero sonhar mais... Chega de desenganos. Só quero fechar os olhos e não sentir absolutamente nada.
Nada é sagrado neste mundo. Todos profanamos a felicidade dos outros, quanto mais não seja com invejas e ciumes. Estou a abarrotar de frustrações. Só me apetece chorar mas as lágrimas não correm. Porquê tanta injustiça? Onde é que este caminho vai dar?
O coração quer fugir para onde a mente não vai... Não sei mais o que fazer. Fico quieta? Não, não posso ficar à espera que a vida venha ao meu encontro. Mas o que procuro está longe demais e quanto mais corro para lá mais longe e dificil de alcançar fica... É confuso o que me vai na alma. São só contradições e contrariedades. Afinal, alguém sabe o que é que eu quero?